o fim é quase sempre uma faca sem a língua acerba. mortalha das sílabas ácidas.

Domingo, 5 de Julho de 2009


e neste final o ensaio é cão vadio e melancólico. presa de um arquipélago oceanizado de memórias. que se estendem como estátuas caídas às mãos de uma biografia de sangue e de distância.
demorado o tempo das pontes e das leituras onde o combate é rasgo das palavras inconjuntas.______________ garras in.coesas na insubstante leitura do fogo que se agarra como sermão às aves que morrem. as palavras. afluentes de um tambor mudo. muda-se o interior e o delírio é apenas esconjuro.
e venho do nada_______Allah_________que a noite mais pura se faz inquieta e se en.divina
agónica e solitária.

Sexta-feira, 3 de Julho de 2009


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ou ainda ser o gesto universal determinadamente leve na antecâmara do silêncio.
clássica a tradição da palavra. que sendo signo mutável é pele e respiração e jogo semiótico.
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ou ainda ser outra vez o outro que nos habita entre o destino e a inconsciência.
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ou o gesto reflexivo que segura o vento nas pálpebras. a diferença entre ser e querer. ilha ou continente. ponto ou água. morte ou beijo. sinal de quem chega ao lugar da matéria e não se en.curva.

Quarta-feira, 1 de Julho de 2009

de um piano a crescer como pétala. a linguagem comovida de um instante repetido todos os momentos em que me és música e ventre da alma bravia. que deu fruto. apelativo o desejo que sejas espírito. vigília da entrega. em rasto de sempre "nascimento"...deslumbre. obrigada meu amor. Parabéns j.m.

Terça-feira, 30 de Junho de 2009








"Acorda-se de madrugada e diz-se: vou começar. Chega, entretanto, uma amiga sonolência, a tomar conta de nós, amaciando-nos os ímpetos. Já mais pelas sete e pouco volta o desejo e a vontade: pelas oito saio para um banho e um passeio, porque faz bem andar a pé. Pelas nove, ainda sem desejo de banho ou vontade de passear, pensa-se: se agora me levantasse estava à abertura das dez no lugar onde costumo ler e tomava, entretanto, o pequeno-almoço. Passam as dez e estamos agora a reconciliar-nos com a vida. Nessa altura já as horas não contam. Tudo isto não é por ser domingo, é só por termos dito ao acordar: vou começar. E recomeça-se."
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A moral pública é a do pelourinho: os amarrados à infâmia colectiva subrogam-se aos pecados dos que serão os primeiros a atirar a primeira pedra.
A hipocrisia é todos se sentirem juízes do que não conhecem, depois de terem sido acusadores pelo que ouviram dizer e testemunhas do que lhes parece que é.
O ridículo é ninguém notar a triste figura que faz. É por isso que se fala tanto. É por isso que alguns fazem de falar uma profissão milionária. Chamam-se comentadores.
de:José António Barreiros






e________________todo o modo hábil de gerir o tempo é filigrana de nenhuma acção. deixar fluir as horas no sal puro . ser inesperado momento de lucidez e estímulo. porque tudo ascende às nuvens. e ao alto das falésias.

pina bausch....

pina bausch....

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